Projeto Ritmo de InterAção Angelman
Entre outubro de 2024 e março de 2025, o Centro Terapêutico e Educacional de Braga (CTEB), em parceria com a ANGEL Portugal, desenvolveu o projeto Ritmo de InterAção Angelman, uma iniciativa pioneira que juntou musicoterapia e terapia da fala para apoiar jovens com Síndrome de Angelman (SA).
A Síndrome de Angelman é uma condição neurogenética rara que afeta gravemente a linguagem verbal, mas não elimina a capacidade de comunicação e interação social. Partindo deste desafio, o projeto criou um espaço terapêutico estruturado, inclusivo e colaborativo, envolvendo também os cuidadores em todas as sessões.
Estrutura e funcionamento
O programa contou com 15 sessões semanais, sempre com uma estrutura previsível: canção de boas-vindas, atividades musicais (ouvir, explorar, cantar, tocar/dançar), uso de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) e canção de despedida.
Participaram 4 jovens entre os 12 e os 23 anos, com níveis distintos de competências comunicativas, acompanhados pelos seus cuidadores.
Resultados alcançados
Os resultados foram claros:
- Surgimento de novas funções comunicativas, como escolher ou pedir ações.
- Maior uso de símbolos e pictogramas, com introdução de tecnologia de apoio (software Asterics Grid).
- Evolução de alguns jovens para níveis mais complexos de comunicação simbólica.
- Reforço da interação social, da expressão corporal e da autonomia.
Além dos benefícios diretos para os jovens, o projeto teve um forte impacto junto das famílias, que valorizaram não só a evolução dos filhos, mas também o espaço de partilha e apoio entre Cuidadores.
Avaliação das famílias
Os questionários de satisfação revelaram um grau de aprovação total: todos os cuidadores avaliaram o impacto como “muito alto”, mostraram-se plenamente satisfeitos com a equipa e recomendaram o projeto, manifestando ainda o desejo de que tenha continuidade.
Futuro e replicação
As conclusões apontam para a necessidade de prolongar e expandir este modelo, complementando as sessões de grupo com momentos individuais e envolvendo outras áreas, como a terapia ocupacional.
O projeto revelou-se replicável em contextos clínicos, escolares e institucionais, não só para a SA mas também para outros perfis neuromotores complexos.
“O Ritmo de InterAção Angelman mostrou que, com consistência, criatividade e um olhar centrado nas possibilidades de cada jovem, é possível promover avanços reais na comunicação e na inclusão social.”